quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O “brasileirinho” de Praga


Não, não me refiro a nenhum garotinho do Brasil perdido na capital tcheca – mas sim ao simpático fantoche da foto ao lado, que, conduzido pelas mãos talentosas do artista de rua, dançava alegremente ao som de “Brasileirinho” na Karluv Most (Ponte Charles), em Praga, enquanto eu passava por lá, a caminho de Staré Mesto.


Um espetáculo, assim como a Karluv Most. Com 520 m de extensão, essa obra gótica teve sua construção iniciada em 1357, por ordem de Carlos 4º, e hoje é um dos símbolos de Praga, ligando as duas partes da cidade por sobre o rio Vltava. 







Dos dois lados da Karluv Most há réplicas de estátuas góticas e barrocas com imagens de santos católicos. 


Em cada uma das extremidades da ponte há torres de onde se pode vislumbrar o colorido dos telhados e as centenas de agulhas das igrejas de Praga.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Bach na Stephansdom: não tem preço


Como diz a propaganda do famoso cartão de crédito, “existem coisas que o dinheiro não compra...”

Por exemplo: a emoção de ouvir “A Paixão Segundo São Mateus”, de Bach, meu compositor erudito favorito, na magnífica “Stephansdom”, ou Catedral de São Estevão, em Viena (na foto ao lado).

Após duas horas de concerto, saí da catedral construída entre 1137 e 1147, em estilo românico-gótico,  completamente extasiada!

Ah, sim, paguei o ingresso com MasterCard!


Na foto abaixo, o túmulo de Bach na “Thomaskirche” (Igreja de São Tomás), em Leipzig, onde eu também ouvi... Bach, naturalmente!


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

My blueberry nights



“Hoje não se pode mais fumar em lugar nenhum”, diz Jeremy (Jude Law) à Katya (Cat Power) no belíssimo “My blueberry nights”, de Wong Kar-Wai.




Prazeres efêmeros


“Cigarros são a forma perfeita de prazer: são efêmeros e deixam-nos insaciados”

Oscar Wilde

Tabacaria


“(...) Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando (...)”

Fernando Pessoa, in “Tabacaria”


Metamorfose Ambulante


“Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Eu quero dizer
Agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo...”


Raul Seixas, in "Metamorfose Ambulante"

domingo, 6 de setembro de 2009

The City of K.


Até onde a metamorfose de uma cidade pode nos levar?

Se a cidade em questão é Praga – cidade onde nasceu e está enterrado Franz Kafka (1883/1924) –, certamente seremos levados ao espaço Hergetova Cihelna, às margens do rio Vltava, sede do Franz Kafka Museum.

E, ao cruzarmos o “K” da entrada, percorreremos os labirintos kafkianos da exposição “The City of K. Franz Kafka e Praga” – um convite à reflexão metafórica da vida e da obra de Kafka. A exposição é composta de duas partes.

A primeira, denominada “Espaço Existencial”, classifica os eventos da vida de Kafka, bem como a influência do ambiente sobre o escritor. A segunda, chamada “Topografia Imaginária”, mostra o modo como o trabalho de Kafka reflete o intrincado processo de transformação da realidade física de Praga e da vida do escritor em uma imagem metafórica. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Bicicletas anônimas

Leipzig











                             
 Praga




Berlin                                   












Viena

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O livre exercício da tragada


Com exceção dos Estados Unidos, onde começam a banir o cigarro até mesmo das ruas (vide o exemplo de Los Angeles, em cujos parques é proibido fumar, para não “prejudicar” a saúde das crianças e dos esportistas*), os demais países que adotaram medidas de restrição ao fumo procuraram respeitar – ainda que minimamente – o direito dos fumantes ao livre exercício da tragada. Falo da Europa, naturalmente.


Tome-se o caso da Alemanha, onde o número de fumantes é significativo. No gigantesco aeroporto de Frankfurt, por exemplo, há “ilhas” com cinzeiro e exaustor espalhadas pelos grandes corredores; o espaço é pequeno, reduzidíssimo mesmo, mas suficiente para aplacar a vontade de fumar após doze horas de viagem ou entre uma conexão e outra. Em minha última viagem, apenas passei por Frankfurt, a caminho de Munique; portanto, não sei como está a situação dos fumantes na cidade de Goethe. Mas, a julgar pelo que vi em Munique, Berlin e Leipzig (na foto acima, área externa do Bar Mephisto, na Mädler Passage), o respeito ao fumante nessas cidades da Alemanha é infinitamente superior ao observado em São Paulo.

A começar pelos bares, cafés e restaurantes, que mantêm áreas para fumantes na área externa, como terraços e jardins (com toldos ou não, com paredes laterais ou não... bem diferente daqui, onde só se pode fumar mesmo é na rua). As cervejarias têm seus biegartens – jardins da cerveja –, onde é possível beber e fumar em paz! Não é preciso pedir um cinzeiro. Eles estão por toda parte e, caso você não encontre um em sua mesa, basta acenar para o garçom com o maço de cigarro: ele providencia um rapidinho. A temperatura ambiente tampouco inibe os fumantes; mesmo no frio, os alemães lotam os biegartens, devidamente equipados com aquecedores. Mas o melhor de tudo é que ninguém nos olha feio quando acendemos um cigarro!

Na Áustria (Viena e Salzburg) e na República Tcheca (Praga), os estabelecimentos têm áreas internas para fumantes e não fumantes – como era aqui em São Paulo antes da famigerada lei antifumo (e como prevê, aliás, lei federal). Na Polônia (Varsóvia), alguns bares e restaurantes mantêm áreas separadas para fumantes e não fumantes, mas a maioria não faz qualquer tipo de restrição ao cigarro.

E a Rússia... bem, a Rússia é o paraíso dos fumantes! Com exceção do transporte público (ônibus e metrô), estações de metrô e museus – o que é compreensível, até por uma questão de segurança –, pode-se fumar em todos os lugares, à vontade. E os russos (assim como os alemães, os austríacos, os tchecos e os poloneses) fumam, e muito! E bebem ainda mais, principalmente vodka e cerveja. E, a despeito de todos os excessos, têm uma aparência ótima, bem diferente daqueles americanos obesos, movidos a fast-food! 

(*) no país do fast-food e da comida enlatada, onde crianças ainda pequenas trocam o leite por refrigerante, soa quase como uma heresia a preocupação dos governantes com a fumaça dos cigarros nos parques.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Varsóvia, das cinzas às flores



Olhando hoje para Varsóvia, é difícil acreditar que a cidade foi  quase toda destruída pelas tropas alemãs na 2ª Guerra Mundial. 

Tal qual a fênix, a capital da Polônia ressurgiu das cinzas – linda, colorida e vibrante. A maioria dos prédios destruídos pela guerra, principalmente em Stare Miasto, ou Cidade Velha, foi reconstruída meticulosamente.  

 

Mas as lembranças da guerra ainda estão por toda parte, seja nos monumentos aos mortos, seja nos pequenos "memoriais" construídos a partir dos escombros – onde invariavelmente há uma flor. 

O que me leva a pensar que, ao mesmo tempo em que buscam “exorcizar” os fantasmas da guerra, os poloneses querem manter viva a lembrança do terror, com referências explícitas a Hitler, o "patrono do horror".  Para que ninguém se esqueça jamais dos crimes que ele perpetrou.

 
Abaixo, um dos poucos prédios de Varsóvia atingidos pelos bombardeios alemães ainda não reconstruído:
 

terça-feira, 1 de setembro de 2009

1º de Setembro de 1939: a Alemanha invade a Polônia. Começa a 2ª Guerra Mundial

Há exatos 70 anos, em 1º de setembro de 1939, o ataque alemão à Polônia dava início à Segunda Guerra Mundial, que resultou na morte de mais 50 milhões de pessoas.

Só a Polônia perdeu 6 milhões de cidadãos, sendo metade deles judeus. Durante a ocupação alemã, o país foi usado como base para o genocídio nazista. Na Polônia ficavam Auschwitz, Majdanek, Treblinka e outros campos de concentração construídos para aniquilar os judeus da Europa.

Gueto de Varsóvia

Imediatamente após a ocupação alemã da Polônia, em 1939, os alemães começaram a planejar o isolamento da população judaica de Varsóvia num gueto – criado em outubro do ano seguinte. Em uma área correspondente a pouco mais de 2% do território da cidade, o Gueto de Varsóvia chegou a “abrigar” aproximadamente 380 mil pessoas, ou 30% da população local. Em novembro de 1940, os nazistas construíram um muro ao redor do gueto, segregando completamente os judeus.

Nos três anos de existência do Gueto de Varsóvia, a fome, as doenças e as deportações para campos de extermínio, principalmente o de Treblinka – iniciadas em julho de 1942 –, reduziram a população segregada de 380 mil para 70 mil habitantes.

Revolta

O Gueto de Varsóvia foi palco, em 1943, da primeira insurreição massiva contra a ocupação nazista na Europa – conhecida como o “Levante do Gueto de Varsóvia”.

Até janeiro de 1943, mais de 300 mil judeus já haviam sido deportados e mortos nas câmaras de gás. Em abril de 1943, quando o gueto deveria ser inteiramente evacuado, os habitantes restantes – sem esperança de sobreviver e sem ajuda externa – se rebelaram, numa ação quase suicida. Preferiam morrer lutando em vez de morrer numa câmara de gás. Desesperados, com as poucas armas de que dispunham, eles conseguiram resistir quatro semanas às tropas muito mais fortes da SS de Hitler.

O levante dos judeus do Gueto de Varsóvia terminou no dia 16 de maio de 1943. As forças alemãs esmagaram a revolta e deixaram a área do gueto – e boa parte de Varsóvia – em ruínas.

Fotos do Monumento aos Heróis do Gueto, em Varsóvia


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Росси́йская Федера́ция. Do you speak english? “Niet”

Como já mencionei anteriormente, o turismo na Rússia ainda é muito incipiente. Mesmo nos principais “pontos turísticos” de Moscou e São Petersburgo – como a Praça Vermelha, o Kremlin, a Galeria Tretriakov, o Museu Hermitage, a Fortaleza de São Pedro e São Paulo, entre outros –, cruzei com pouquíssimos turistas. Alguns portugueses, alguns franceses, alguns asiáticos... (a foto ao lado foi tirada por uma jovem francesa; a foto em que eu apareço diante do Hermitage, no outro post, foi tirada por um tailandês). Com exceção de alguns jovens casais mochileiros, a maioria seguia o guia de alguma excursão. Sim, porque, com exceção dos mochileiros, a maioria das pessoas prefere viajar em grupos para a Rússia, devidamente “empacotados” por alguma agência de viagem.

(Não é o meu caso. Embora não seja exatamente uma mochileira – primeiro, porque a minha bagagem nunca cabe em uma única mochila; segundo, porque prefiro o conforto e a privacidade de um quarto “exclusivo” de hotel –, tenho o espírito “mochileiro”. Gosto de me aventurar e de fazer meu próprio roteiro – e de preferência sozinha, com a cara, a coragem e, naturalmente, com o cartão de crédito no bolso, porque, cá entre nós, sem dinheiro a gente não chega a lugar nenhum.)

Voltando à Rússia, nos lugares turísticos em que estive, a maioria dos visitantes era do próprio país (a julgar pelas conversas entreouvidas ao meu redor). Como os russos falam com um sotaque semelhante aos dos portugueses, muitas vezes eu me confundia, achando que estava diante de representantes de nosso país-irmão. Que nada! Bastava aguçar um pouquinho o ouvido para perceber que era russo mesmo...

Toda essa digressão só para dizer que, na Rússia, o inglês é tão útil quanto o português! (rsrs) É claro que, nos hotéis, muitos funcionários – principalmente os que lidam diretamente com os hóspedes – falam inglês, a exemplo do que ocorre nos museus e em outros pontos turísticos. O mesmo se observa em grandes restaurantes e lojas.

Mas essa não é a regra geral. Ao contrário. Fora do restrito circuito turístico, constatei que poucas pessoas falam inglês na Rússia. O que pode ser atribuído ao turismo ainda incipiente. Ou não: de repente, apesar da acelerada “ocidentalização” do país, os russos ainda não dão tanta importância ao idioma inglês como os outros povos...

Durante minha viagem àquele país, abordei dezenas de russos (principalmente nas ruas e nas estações de trem e metrô):

Pajálsta, vy govoritye po-anglijski?” (por favor, você fala inglês?)

E nove entre cada dez russos abordados diziam, em alto e bom som: “nyet” (não). E eu me despedia com o simpático “spasibo” (obrigado).

Mas o fato é que, mesmo sem falar ou compreender inglês, os russos que abordei em busca de informações foram, em sua grande maioria, extremamente solícitos. Eu mostrava o mapa, gesticulava, e eles me indicavam o caminho ou o lugar procurado. No imenso e deslumbrante metrô de Moscou, onde me “perdi” dezenas de vezes (uma vez que todas as placas estão em cirílico, esse alfabeto indecifrável), as pessoas chegavam a me pegar literalmente pelo braço para indicar o trem ou a direção que deveria tomar. Sem falar inglês.

“Do svidaniya” (ou até logo)

domingo, 30 de agosto de 2009

Henry Moore em Berlin

 Butterfly (Tiergarten)


The Archer (Neue Nationalgalerie)







sábado, 29 de agosto de 2009

Degas

Há muita coisa de Degas no Hermitage. E não só "bailarinas".

Abaixo, "Interior com Duas Figuras". É lindo, não?

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Grandiosidade e exuberância

Considerado o maior rival do Louvre em grandeza física e exuberância artística, o Museu Hermitage, em São Petersburgo, tem um acervo tão gigantesco, mas tão gigantesco (são 3 milhões de obras de arte, dos quais “apenas” 20% estão em exposição) que os russos costumam dizer que, para conhecer tudo, o visitante levaria pelo menos 11 anos (isso se gastasse um minuto para olhar cada item exposto, o que é impossível, dada a grandiosidade das obras).

Com 1.057 salas e 117 escadarias, o museu é sediado no antigo Palácio de Inverno, a residência oficial dos czares. Começou a ser construído em 1754 e ganhou ampliações e anexos ao longo do tempo, acabando por se constituir num complexo de cinco edifícios que se interligam, ao longo do rio Neva. A coleção de arte compreende os três andares do edifício principal, o Palácio de Inverno propriamente dito, e os dois andares do Pequeno e do Grande Hermitage.

Visitar o Hermitage – patrimônio arquitetônico e artístico mundial – é passear pela história de vários séculos de arte. Da Arte Pré-Histórica e Cultura da Antigüidade à Arte da Europa Ocidental, passando pela Cultura Russa e Arte Oriental. Isso sem falar no acervo de arsenais e numismática. Na pintura e escultura, por exemplo, tem Renoir, Rubens, Da Vinci, Rembrandt, Matisse, Picasso, Gauguin, Van Gogh, Ticiano, Dürer, Monet, Van Dyck, Canova, Falconet, Rodin... 

É obra demais, e tempo de menos para apreciá-las. E olha que, ao contrário de outros grandes museus da Europa, não há filas - seja para entrar, seja para ver as obras mais "concorridas". Na verdade, o número de visitantes é bem menor que o de outros museus mais conhecidos, como o Louvre e o Prado, sendo que o idioma mais ouvido lá dentro ainda é o russo. Seja pela distância (a Rússia é longe, muito longe...), seja pelas barreiras impostas à entrada de visitantes estrangeiros (a obtenção do visto exige uma boa dose de paciência), o fato é que o turismo na Rússia é muito incipiente. Falarei sobre isso depois.  

Durante minha estadia em Petersburgo, visitei o Hermitage duas vezes. E foi pouco, muito pouco (embora estivesse hospedada a duas quadras do museu). E visitaria uma terceira vez se, por uma questão logística, não tivesse sido obrigada a antecipar em um dia minha viagem à Varsóvia, de modo a chegar na capital polonesa na data prevista inicialmente. Mas essa é uma outra estória...

Fotos do Hermitage.








quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Proibições e exceções

Não vou questionar a pesquisa Datafolha sobre a famigerada lei antifumo.

Primeiro, porque pesquisa é pesquisa, e eu não tenho por que duvidar do resultado – embora, particularmente, tenha dúvidas sobre a isenção desse instituto em questões que dizem respeito ao tucano José Serra (o Datafolha pertence à Folha, que, como se sabe, é Serra da “primeira à última linha”).

Segundo, porque o fato de a maioria (inclusive os fumantes) dos dois mil e pouco entrevistados se declarar favorável à nova lei não a torna menos fascista.

Exemplos? Em seu artigo 5º, a lei estabelece, por exemplo, que “qualquer pessoa poderá relatar ao órgão de vigilância sanitária ou de defesa do consumidor da respectiva área de atuação fato que tenha presenciado em desacordo com o disposto nesta lei”.

Ora, à medida que incentiva expressamente a delação, a lei assegura aos potenciais delatores (especialmente os não fumantes xiitas) as prerrogativas necessárias para iniciar uma verdadeira perseguição aos fumantes.
Tem algo mais fascista do que isso? Infelizmente, tem.

Atentem para o artigo 6º da lei antifumo:
“Artigo 6º - Esta lei não se aplica: (...) III - às vias públicas e aos espaços ao ar livre; IV - às residências”

Vias públicas? Residências?

Por que, diabos, a referência explícita a vias públicas e residências nessa famigerada lei? Se o objetivo era simplesmente “coibir” o fumo nos ambientes fechados, públicos ou privados, precisava explicitar no texto da lei que a proibição não se aplica a vias públicas ou residências?

Será que passou pela cabeça desses fascistas a possibilidade, remota que seja, de me proibir de fumar nas ruas ou em minha própria casa? Se não passou, por que fazer constar a “exceção” no texto da lei? Bastava dizer onde não pode, e pronto. Era bem mais simples, concordam?

Desconfio que não fizeram isso (omitir a “exceção”) para tentar de disfarçar a natureza totalitária e fascista da lei – o que é inútil, diga-se de passagem.

Como diz o governo no site criado especialmente para divulgar a nova lei, ela (a nova lei) “restringe, mas não proíbe o ato de fumar. O cigarro continua autorizado dentro das residências, das vias públicas e em áreas ao ar livre”.

Continua autorizado, é? Até quando?

Renoir no Hermitage

Adoro Renoir. Entre todos os impressionistas, é o que mais me seduz. Amo o traço sensível, e ao mesmo tempo marcante, de Renoir. Mas amo, sobretudo, as cores de Renoir! Como não posso comprar um quadro desse grande pintor, me “contento” (ou melhor, me dou por feliz, uma vez que poucos têm esse privilégio) em apreciar sua obra nos museus que visito, no Brasil e no exterior. Ademais, sempre defendi que grandes obras de grandes artistas devem mesmo é ficar expostas em museus – e não escondidas em casas de colecionadores –, para que possam ser apreciadas por todos, ou quase todos, que gostam de arte.

Procuro compensar a sensação de “querer mais” (olhar, sentir, me emocionar...) ‘colecionando’ reproduções de obras de arte. Tenho várias em minha casa, espalhadas por todos os cômodos.

Em uma das paredes da sala, estão três reproduções de obras de Renoir. A maior delas, que ocupa lugar de destaque, é de “Jeunes filles au piano” – lindíssima, que não canso de apreciar. Até pouco tempo atrás, porém, não fazia idéia de onde poderia estar exposta a obra original.

Eis que, ao percorrer um dos intermináveis corredores do majestoso Hermitage Museum, em São Petersburgo, à procura das obras de Rubens, dou de cara com “Jeunes filles au piano”! Estava tão exausta, caminhando (e me deslumbrando) havia horas naquele imenso e magnífico museu, que demorou a cair a ficha. “Peraí, eu conheço esse quadro... ah, o 'meu Renoir'!” Fui uma das últimas pessoas a deixar o Hermitage naquele dia. E voltei, dois dias depois, para tentar ver o que não havia conseguido. E acho que ainda não vi tudo (o acervo é gigantesco e maravilhoso!). Eu voltarei, com certeza.