sábado, 19 de setembro de 2009

Ser ou ter? Com a palavra, Marx.



“Quanto menos comes, bebes, compras livros, vais ao teatro e ao café, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas desporto etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. ‘És’ menos, mas ‘tens’ mais. Assim todas as paixões e atividades são tragadas pela cobiça.” (Karl Marx)


Ao lado, estátua de Marx na Praça da Revolução, em Moscou




Площадь Революции



Ao lado, uma das 76 estátuas de bronze que decoram a plataforma de embarque da estação de metrô Plochad Revolutsii (Praça da Revolução), em Moscou, inaugurada em 1938. As estátuas, em tamanho natural, reproduzem cidadãos russos em atividades cotidianas que exprimem o ideal da Revolução. Abaixo, a  entrada da estação.









sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Entre uma vodka e outra... uma igreja e outra!




Invariavelmente, minhas viagens seguem o roteiro histórico-etílico-religioso, não necessariamente nessa ordem. Na verdade, sempre que chego a uma nova cidade procuro uma igreja ou um templo religioso qualquer – ou melhor, da crença religiosa predominante no local –, para agradecer a Deus por ter chegado até ali e pedir proteção para o restante da viagem (inclusive para os inevitáveis exageros etílicos!). E só depois inicio, de fato, minha longa peregrinação pela cidade, percorrendo museus, bares, cemitérios, monumentos históricos, restaurantes e novas igrejas (sim, entro em todas que encontro pelo caminho).

Na Rússia não foi diferente. Entre uma vodka e outra (ou entre uma cerveja e outra; sim, lá eles também bebem muita cerveja), entre um museu e outro (e são vários, um mais deslumbrante do que o outro), entre reminiscências do czarismo e da Revolução Socialista lá estava eu admirando as belíssimas igrejas ortodoxas russas, com sua riqueza artística e arquitetônica.

Na foto acima, a Catedral de São Basílio, localizada na Praça Vermelha, em Moscou, conhecida mundialmente por suas cúpulas em forma de bulbo (foi a primeira igreja que visitei ao chegar em Moscou, proveniente de Praga, numa viagem de trem que durou aproximadamente 36 horas). Pertencente à Igreja Ortodoxa Russa, a catedral teve sua construção ordenada pelo Czar “Ivan o Terrível” para comemorar a conquista do Cantão de Kazan, entre 1555 e 1561. Conta-se que, após o término da construção, o terrível czar teria mandado arrancar os olhos do arquiteto, para que ele não pudesse construir outra coisa igual.




A Igreja da Ressurreição de Cristo, em São Petersburgo, que incorpora todos os componentes da arquitetura bizantino-ortodoxa, foi construída no local onde o czar Alexandre II foi assassinado, em 1881. É famosa pela riqueza dos mosaicos que a recobrem, no interior e no exterior, e pelos altares decorados com pedras preciosas; o chão é revestido em mármore italiano. Abaixo, detalhes da fachada e do interior.




Abaixo, fotos das famosas catedrais do Kremlin, em Moscou: em sentido horário, Catedral da Anunciação, Catedral do Arcanjo e Catedral da Assunção. 








quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Meu Caro Amigo


“É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando
Que também sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão...”

Chico Buarque e Francis Hime

À Bout de Souffle (ou saudades de Godard)


Jean Seberg e Jean-Paul Belmondo em “Acossado”, filme ícone da Nouvelle Vague

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Os ícones de Rublev


Ao chegar à estação orbital de "Solaris", o protagonista do belíssimo filme de Andrei Tarkovsky coloca sobre uma mesa as poucas referências valiosas trazidas da Terra: a foto da esposa morta e uma reprodução de “A Santíssima Trindade” (foto), de Andrey Rublev, expressão máxima da iconografia medieval eslava. Coincidência? Claro que não. Tarkovsky era apaixonado pela obra de Rublev, cuja vida transformou em filme.

Tarkovsky sabia das coisas! Em Moscou, chorei de emoção diante da "Santíssima Trindade" e de outras obras de Rublev nas magníficas Tretyakov Gallery  e Catedral da Anunciação (uma das famosas catedrais do Kremlin). Simplesmente deslumbrante! 


Com um acervo de mais de 150 mil obras, a Tretyakov Gallery (foto abaixo) é dedicada exclusivamente à arte russa. São obras criadas ao longo de dez séculos (XI a XX) por sucessivas gerações de artistas russos. Não por acaso, o museu é considerado um “tesouro nacional” de arte russa.  

  

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Objeto do desejo


Chateau Margaux

Ser é escolher-se


“Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tampouco de dentro, que possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser. O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é.”
Sartre, in "O Ser e o Nada"

sábado, 12 de setembro de 2009

Próximo destino: México


Para ver Rivera (foto ao lado) e acompanhar pelo menos uma das inúmeras festas populares desse enigmático país!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Acordado


“Sempre fiz questão de nunca fumar quando estou a dormir” (Mark Twain)

Sobre chuvas, lixo e descaso


Meu cigarro é testemunha de que eu não pretendia falar sobre política aqui neste espaço, mas é inevitável. Diria que é mais forte do que eu... Mas asseguro que tem a ver com a “fumaça” (rs).

Pois bem. O que se viu em São Paulo nesta semana – principalmente na última terça-feira, quando a cidade praticamente parou em decorrências das fortes chuvas – não foi apenas uma resposta da natureza a um modelo (modelo?) urbanístico equivocado que, para viabilizar um sistema viário igualmente equivocado (que prioriza o automóvel, em detrimento do transporte público), contribui para a crescente impermeabilização do solo. Foi isso também, é claro. Mas não só.

O que se viu nesta semana em São Paulo foi obra, principalmente, do descaso do poder público – o que, em se tratando de uma prefeitura administrada por Gilberto Kassab, não surpreende.

Para fazer “caixa” (sabe-se lá com que propósito), a prefeitura contingenciou os recursos destinados às obras contra enchentes, como revelam os dados da execução orçamentária do município (dos R$ 18,5 milhões previstos no Orçamento de 2009 para a construção de novos piscinões e reservatórios de águas das chuvas, o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, congelou R$ 17,1 milhões, empenhando até agora apenas R$ 1,3 milhão – ou 7,3% da verba prevista).

Como se isso não bastasse, há cerca de dois meses Kassab reduziu em 20% os recursos destinados à varrição e coleta, o que resultou em um aumento significativo de lixo nas ruas da capital.

O resultado desse descaso pôde ser conferido na última terça-feira. Com as ruas e rios entupidos por toneladas de lixo, a água das chuvas – sem ter para onde escoar – provocou dezenas de pontos de alagamento.

É evidente que, ao jogar lixo nas ruas, a população contribui para o problema das enchentes. Mas, falta de educação e civilidade à parte, há que se considerar o fato de que, muitas vezes, joga-se lixo nas ruas porque não há lixeiras e caçambas suficientes para o depósito de resíduos. Suficiente, aliás, é modo de dizer, porque, em muitas regiões da cidade, simplesmente não existem lixeiras. E, quando existem, ora estão depredadas, ora estão transbordando de lixo – sem que ninguém se digne a recolhê-lo.

Detalhe: não estou falando da periferia (onde, certamente, a situação é muito pior), mas sim de bairros da região central, muitos deles considerados “nobres”, como os Jardins. Do centro velho, onde está sediada a Prefeitura; da Avenida Paulista, um dos cartões postais de São Paulo... Não faz muito tempo, foram colocadas lixeiras de concreto ao longo da avenida, mas o lixo nem sempre é recolhido. Muitas vezes – como já presenciei em pontos diversos da Paulista –, o funcionário da limpeza substitui o saco plástico das lixeiras, mas não remove o lixo da avenida: o saco repleto de resíduos permanece ali, próximo da guia, por várias horas, até ser recolhido pelo caminhão. Quando vejo isso, torço para não chover, porque, se chover, o estrago é inevitável: o saco se abre, entupindo os bueiros de lixo!

Como eu me recuso a jogar lixo nas ruas, coloco meus resíduos – como lenços de papel usados e embalagens em geral – na bolsa e, se não encontro uma lixeira, levo tudo para casa. Mas o que fazer com a quimba do cigarro? Sim, porque em São Paulo, inacreditavelmente, não há cinzeiros públicos (como os observados nas ruas de cidades européias, como Varsóvia, na foto acima).

Quando encontro uma lixeira na rua, eu apago o cigarro no chão e jogo a quimba lá dentro. E quando não encontro (no meu bairro, por exemplo, não há lixeiras nas ruas), jogo onde? Na rua? Mas isso vai contra os meus princípios. Ademais, o mesmo Kassab que reduziu os recursos para os serviços de varrição e coleta de lixo estipulou uma multa de R$ 500 para quem for surpreendido jogando quimba de cigarro nas ruas! Isso numa cidade onde 1) não existem cinzeiros; 2) o número de lixeiras é desproporcional ao tamanho da metrópole; e 3) só é permitido fumar em casa ou ao ar livre...

Se nos é permitido (por enquanto) fumar apenas em casa e nas ruas, o mínimo que podemos exigir é que sejam instalados cinzeiros públicos em toda cidade. Caso contrário, seremos responsabilizados também pelas enchentes de São Paulo.
   

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O “brasileirinho” de Praga


Não, não me refiro a nenhum garotinho do Brasil perdido na capital tcheca – mas sim ao simpático fantoche da foto ao lado, que, conduzido pelas mãos talentosas do artista de rua, dançava alegremente ao som de “Brasileirinho” na Karluv Most (Ponte Charles), em Praga, enquanto eu passava por lá, a caminho de Staré Mesto.


Um espetáculo, assim como a Karluv Most. Com 520 m de extensão, essa obra gótica teve sua construção iniciada em 1357, por ordem de Carlos 4º, e hoje é um dos símbolos de Praga, ligando as duas partes da cidade por sobre o rio Vltava. 







Dos dois lados da Karluv Most há réplicas de estátuas góticas e barrocas com imagens de santos católicos. 


Em cada uma das extremidades da ponte há torres de onde se pode vislumbrar o colorido dos telhados e as centenas de agulhas das igrejas de Praga.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Bach na Stephansdom: não tem preço


Como diz a propaganda do famoso cartão de crédito, “existem coisas que o dinheiro não compra...”

Por exemplo: a emoção de ouvir “A Paixão Segundo São Mateus”, de Bach, meu compositor erudito favorito, na magnífica “Stephansdom”, ou Catedral de São Estevão, em Viena (na foto ao lado).

Após duas horas de concerto, saí da catedral construída entre 1137 e 1147, em estilo românico-gótico,  completamente extasiada!

Ah, sim, paguei o ingresso com MasterCard!


Na foto abaixo, o túmulo de Bach na “Thomaskirche” (Igreja de São Tomás), em Leipzig, onde eu também ouvi... Bach, naturalmente!


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

My blueberry nights



“Hoje não se pode mais fumar em lugar nenhum”, diz Jeremy (Jude Law) à Katya (Cat Power) no belíssimo “My blueberry nights”, de Wong Kar-Wai.




Prazeres efêmeros


“Cigarros são a forma perfeita de prazer: são efêmeros e deixam-nos insaciados”

Oscar Wilde

Tabacaria


“(...) Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando (...)”

Fernando Pessoa, in “Tabacaria”