segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Suspiros por Bach - II

Suspiros por Beethoven - I

Suspiros por Brahms - I

Suspiros por Bach - I

domingo, 20 de setembro de 2009

Adeus, Lenin!



Sentada em um banco na Praça da Revolução, em Moscou, diante da estátua de Karl Marx – esculpida em 200 toneladas de granito, na base da qual está a famosa conclamação "Proletários de todo o mundo, uni-vos!” –, fiquei imaginando como o ideólogo do marxismo e Vladimir Lenin, principal líder da Revolução de 1917 (cujo corpo embalsamado jaz próximo dali, no mausoléu da Praça Vermelha), se sentiriam na Rússia de hoje.  E concluí que a suposta (e provável) reação dos dois iria muito além do sentimento de frustração. Marx e Lenin certamente ficariam surpresos com a voracidade surpreendente com que o capitalismo chegou à Rússia. Como, aliás, eu também fiquei.


Com exceção do Mausoléu de Lenin (foto abaixo, onde infelizmente eu não pude entrar, pois o local estava fechado à visitação pública, em razão dos trabalhos de conservação do corpo) e de estátuas e murais com a imagem do líder da Revolução nas estações de trem e metrô, além de nomes em logradouros públicos, pouca coisa hoje em Moscou e São Petersburgo nos remete à Revolução. É como se ela simplesmente não tivesse existido!




Por outro lado, os sinais do capitalismo estão por toda parte: nas modernas construções, na opulência das lojas de grife e nos carros de luxo – inclusive limousines – que circulam nas largas avenidas de Moscou e São Petersburgo. E, naturalmente, na proliferação de telefones celulares. A exemplo do Brasil, eles estão por toda parte. A diferença é que, na Rússia, eles funcionam até mesmo nos subterrâneos (e bota subterrâneo nisso!) do metrô. Em Moscou, principalmente, andei muito de metrô, inclusive na hora do 'rush', e me surpreendi com o grande números de russos (trabalhadores) falando ao celular dentro dos trens!

Difícil dizer se os russos estão hoje em uma situação melhor do que aquela em que se encontravam durante o regime comunista. É verdade que, em minhas caminhadas por Moscou e São Petersburgo, não encontrei pessoas em situação de miséria (não me lembro de ter visto 'moradores de rua', tão comuns em São Paulo, por exemplo), embora tenha cruzado com uma ou outra "babushka" mendingando nas proximidades das estações do metrô.  Mas, a julgar pelos ostensivos sinais de riqueza exibidos por uma minoria de milionários russos, algo me diz que o fantasma da desigualdade social – tão combatida pela Revolução de 1917 – pode voltar a assombrar a Rússia. Se é que já não assombra!


Na foto ao lado, a GUM (Gosudartsvenny Univarsalny Magazin, ou loja de departamentos do Estado), a imensa galeria que ocupa uma das laterais da Praça Vermelha, em Moscou, onde as prateleiras da era soviética foram substituídas por lojas como Dior e Prada, entre outras grifes mundiais famosas. Abaixo, outros exemplos do capitalismo emergente.







Ao lado, as obras do novo hotel “Rossyia” (não sei se o nome será mesmo esse). O antigo Hotel Rossyia, uma espécie de "caixote" com 2.876 quartos, 5 mil camas, 40 restaurantes e 1 quilômetro de corredores, foi construído em 1967 para acomodar os delegados do Partido Comunista que vinham para encontros no Kremlin, em frente. Foi demolido, como outros 'mastodontes' do centro de Moscou.


Droga nenhuma



“Dedalus é um jovem exemplar. Ele não fuma e não vai a parques de diversão e não flerta e não faz droga nenhuma ou absolutamente nada (...)”

James Joyce, in “O Retrato do Artista Quando Jovem”

sábado, 19 de setembro de 2009

Ser ou ter? Com a palavra, Marx.



“Quanto menos comes, bebes, compras livros, vais ao teatro e ao café, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas desporto etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. ‘És’ menos, mas ‘tens’ mais. Assim todas as paixões e atividades são tragadas pela cobiça.” (Karl Marx)


Ao lado, estátua de Marx na Praça da Revolução, em Moscou




Площадь Революции



Ao lado, uma das 76 estátuas de bronze que decoram a plataforma de embarque da estação de metrô Plochad Revolutsii (Praça da Revolução), em Moscou, inaugurada em 1938. As estátuas, em tamanho natural, reproduzem cidadãos russos em atividades cotidianas que exprimem o ideal da Revolução. Abaixo, a  entrada da estação.









sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Entre uma vodka e outra... uma igreja e outra!




Invariavelmente, minhas viagens seguem o roteiro histórico-etílico-religioso, não necessariamente nessa ordem. Na verdade, sempre que chego a uma nova cidade procuro uma igreja ou um templo religioso qualquer – ou melhor, da crença religiosa predominante no local –, para agradecer a Deus por ter chegado até ali e pedir proteção para o restante da viagem (inclusive para os inevitáveis exageros etílicos!). E só depois inicio, de fato, minha longa peregrinação pela cidade, percorrendo museus, bares, cemitérios, monumentos históricos, restaurantes e novas igrejas (sim, entro em todas que encontro pelo caminho).

Na Rússia não foi diferente. Entre uma vodka e outra (ou entre uma cerveja e outra; sim, lá eles também bebem muita cerveja), entre um museu e outro (e são vários, um mais deslumbrante do que o outro), entre reminiscências do czarismo e da Revolução Socialista lá estava eu admirando as belíssimas igrejas ortodoxas russas, com sua riqueza artística e arquitetônica.

Na foto acima, a Catedral de São Basílio, localizada na Praça Vermelha, em Moscou, conhecida mundialmente por suas cúpulas em forma de bulbo (foi a primeira igreja que visitei ao chegar em Moscou, proveniente de Praga, numa viagem de trem que durou aproximadamente 36 horas). Pertencente à Igreja Ortodoxa Russa, a catedral teve sua construção ordenada pelo Czar “Ivan o Terrível” para comemorar a conquista do Cantão de Kazan, entre 1555 e 1561. Conta-se que, após o término da construção, o terrível czar teria mandado arrancar os olhos do arquiteto, para que ele não pudesse construir outra coisa igual.




A Igreja da Ressurreição de Cristo, em São Petersburgo, que incorpora todos os componentes da arquitetura bizantino-ortodoxa, foi construída no local onde o czar Alexandre II foi assassinado, em 1881. É famosa pela riqueza dos mosaicos que a recobrem, no interior e no exterior, e pelos altares decorados com pedras preciosas; o chão é revestido em mármore italiano. Abaixo, detalhes da fachada e do interior.




Abaixo, fotos das famosas catedrais do Kremlin, em Moscou: em sentido horário, Catedral da Anunciação, Catedral do Arcanjo e Catedral da Assunção. 








quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Meu Caro Amigo


“É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando
Que também sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão...”

Chico Buarque e Francis Hime

À Bout de Souffle (ou saudades de Godard)


Jean Seberg e Jean-Paul Belmondo em “Acossado”, filme ícone da Nouvelle Vague

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Os ícones de Rublev


Ao chegar à estação orbital de "Solaris", o protagonista do belíssimo filme de Andrei Tarkovsky coloca sobre uma mesa as poucas referências valiosas trazidas da Terra: a foto da esposa morta e uma reprodução de “A Santíssima Trindade” (foto), de Andrey Rublev, expressão máxima da iconografia medieval eslava. Coincidência? Claro que não. Tarkovsky era apaixonado pela obra de Rublev, cuja vida transformou em filme.

Tarkovsky sabia das coisas! Em Moscou, chorei de emoção diante da "Santíssima Trindade" e de outras obras de Rublev nas magníficas Tretyakov Gallery  e Catedral da Anunciação (uma das famosas catedrais do Kremlin). Simplesmente deslumbrante! 


Com um acervo de mais de 150 mil obras, a Tretyakov Gallery (foto abaixo) é dedicada exclusivamente à arte russa. São obras criadas ao longo de dez séculos (XI a XX) por sucessivas gerações de artistas russos. Não por acaso, o museu é considerado um “tesouro nacional” de arte russa.  

  

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Objeto do desejo


Chateau Margaux

Ser é escolher-se


“Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tampouco de dentro, que possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser. O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é.”
Sartre, in "O Ser e o Nada"

sábado, 12 de setembro de 2009

Próximo destino: México


Para ver Rivera (foto ao lado) e acompanhar pelo menos uma das inúmeras festas populares desse enigmático país!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Acordado


“Sempre fiz questão de nunca fumar quando estou a dormir” (Mark Twain)

Sobre chuvas, lixo e descaso


Meu cigarro é testemunha de que eu não pretendia falar sobre política aqui neste espaço, mas é inevitável. Diria que é mais forte do que eu... Mas asseguro que tem a ver com a “fumaça” (rs).

Pois bem. O que se viu em São Paulo nesta semana – principalmente na última terça-feira, quando a cidade praticamente parou em decorrências das fortes chuvas – não foi apenas uma resposta da natureza a um modelo (modelo?) urbanístico equivocado que, para viabilizar um sistema viário igualmente equivocado (que prioriza o automóvel, em detrimento do transporte público), contribui para a crescente impermeabilização do solo. Foi isso também, é claro. Mas não só.

O que se viu nesta semana em São Paulo foi obra, principalmente, do descaso do poder público – o que, em se tratando de uma prefeitura administrada por Gilberto Kassab, não surpreende.

Para fazer “caixa” (sabe-se lá com que propósito), a prefeitura contingenciou os recursos destinados às obras contra enchentes, como revelam os dados da execução orçamentária do município (dos R$ 18,5 milhões previstos no Orçamento de 2009 para a construção de novos piscinões e reservatórios de águas das chuvas, o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, congelou R$ 17,1 milhões, empenhando até agora apenas R$ 1,3 milhão – ou 7,3% da verba prevista).

Como se isso não bastasse, há cerca de dois meses Kassab reduziu em 20% os recursos destinados à varrição e coleta, o que resultou em um aumento significativo de lixo nas ruas da capital.

O resultado desse descaso pôde ser conferido na última terça-feira. Com as ruas e rios entupidos por toneladas de lixo, a água das chuvas – sem ter para onde escoar – provocou dezenas de pontos de alagamento.

É evidente que, ao jogar lixo nas ruas, a população contribui para o problema das enchentes. Mas, falta de educação e civilidade à parte, há que se considerar o fato de que, muitas vezes, joga-se lixo nas ruas porque não há lixeiras e caçambas suficientes para o depósito de resíduos. Suficiente, aliás, é modo de dizer, porque, em muitas regiões da cidade, simplesmente não existem lixeiras. E, quando existem, ora estão depredadas, ora estão transbordando de lixo – sem que ninguém se digne a recolhê-lo.

Detalhe: não estou falando da periferia (onde, certamente, a situação é muito pior), mas sim de bairros da região central, muitos deles considerados “nobres”, como os Jardins. Do centro velho, onde está sediada a Prefeitura; da Avenida Paulista, um dos cartões postais de São Paulo... Não faz muito tempo, foram colocadas lixeiras de concreto ao longo da avenida, mas o lixo nem sempre é recolhido. Muitas vezes – como já presenciei em pontos diversos da Paulista –, o funcionário da limpeza substitui o saco plástico das lixeiras, mas não remove o lixo da avenida: o saco repleto de resíduos permanece ali, próximo da guia, por várias horas, até ser recolhido pelo caminhão. Quando vejo isso, torço para não chover, porque, se chover, o estrago é inevitável: o saco se abre, entupindo os bueiros de lixo!

Como eu me recuso a jogar lixo nas ruas, coloco meus resíduos – como lenços de papel usados e embalagens em geral – na bolsa e, se não encontro uma lixeira, levo tudo para casa. Mas o que fazer com a quimba do cigarro? Sim, porque em São Paulo, inacreditavelmente, não há cinzeiros públicos (como os observados nas ruas de cidades européias, como Varsóvia, na foto acima).

Quando encontro uma lixeira na rua, eu apago o cigarro no chão e jogo a quimba lá dentro. E quando não encontro (no meu bairro, por exemplo, não há lixeiras nas ruas), jogo onde? Na rua? Mas isso vai contra os meus princípios. Ademais, o mesmo Kassab que reduziu os recursos para os serviços de varrição e coleta de lixo estipulou uma multa de R$ 500 para quem for surpreendido jogando quimba de cigarro nas ruas! Isso numa cidade onde 1) não existem cinzeiros; 2) o número de lixeiras é desproporcional ao tamanho da metrópole; e 3) só é permitido fumar em casa ou ao ar livre...

Se nos é permitido (por enquanto) fumar apenas em casa e nas ruas, o mínimo que podemos exigir é que sejam instalados cinzeiros públicos em toda cidade. Caso contrário, seremos responsabilizados também pelas enchentes de São Paulo.
   

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O “brasileirinho” de Praga


Não, não me refiro a nenhum garotinho do Brasil perdido na capital tcheca – mas sim ao simpático fantoche da foto ao lado, que, conduzido pelas mãos talentosas do artista de rua, dançava alegremente ao som de “Brasileirinho” na Karluv Most (Ponte Charles), em Praga, enquanto eu passava por lá, a caminho de Staré Mesto.


Um espetáculo, assim como a Karluv Most. Com 520 m de extensão, essa obra gótica teve sua construção iniciada em 1357, por ordem de Carlos 4º, e hoje é um dos símbolos de Praga, ligando as duas partes da cidade por sobre o rio Vltava. 







Dos dois lados da Karluv Most há réplicas de estátuas góticas e barrocas com imagens de santos católicos. 


Em cada uma das extremidades da ponte há torres de onde se pode vislumbrar o colorido dos telhados e as centenas de agulhas das igrejas de Praga.